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  • Foto do escritorlucas protti

A falácia de tentar ser "melhor versão de nós mesmos"



Vivemos em um mundo que constantemente nos instiga a nos tornarmos a "melhor versão de nós mesmos". No entanto, paradoxalmente, essa busca incessante pela perfeição tem gerado um aumento preocupante da ansiedade, depressão e outros distúrbios mentais, refletindo um mal-estar que Freud já observava em sua obra "O Mal Estar na Civilização".


A ideia de um sujeito humano totalmente no controle de seu destino e emoções parece, cada vez mais, fadada ao fracasso, contribuindo para um aumento do sofrimento. Nesse contexto, as palavras da psicanalista e historiadora Élisabeth Roudinesco ressoam poderosamente: "Nada está mais próximo da patologia do que o culto da normalidade levada ao extremo".


Essa reflexão nos leva a questionar o que realmente significa ser a "melhor versão de si mesmo". Será uma busca por uma perfeição inalcançável? Ou seria mais saudável aceitar nossa humanidade, com todas as suas imperfeições? Talvez devêssemos repensar a noção de "normalidade", reconhecendo que tentar se encaixar em padrões preestabelecidos pode negar nossa singularidade e diversidade.


A busca incessante pela "melhor versão de si mesmo" muitas vezes nos leva a um ciclo de autocrítica e insatisfação constante. Idealizar um estado perfeito pode criar pressão excessiva, estresse e ansiedade, levando-nos a nos afastar de nossa verdadeira autenticidade e a comparar constantemente nossas vidas com as dos outros.


Uma abordagem mais compassiva e realista poderia envolver promover o autocuidado, a autocompaixão e a aceitação de si mesmo. Em vez de buscar ser a "melhor" versão de nós mesmos, poderíamos nos esforçar para ser autênticos e viver de acordo com nossos valores, reconhecendo que todos enfrentamos desafios e imperfeições ao longo da vida.


Ao cultivarmos esse cuidado com nós mesmos, consequentemente aumentamos nossa capacidade de aceitar os outros. Reconhecendo nossa própria humanidade, tornamo-nos mais empáticos e tolerantes com as imperfeições dos outros. Dessa forma, podemos adotar uma abordagem mais equilibrada e gentil em relação ao nosso desenvolvimento pessoal, lembrando que a jornada para a autodescoberta e o bem-estar não é linear, e que está tudo bem não ser perfeito.

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