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  • Foto do escritorlucas protti

A força curativa da arte

Atualizado: 25 de abr.



Muitos artistas testemunham como a produção artística não está dissociada da angústia, da tristeza e do mal-estar que permeiam a experiência humana.


Não é incomum que o artista seja tomado por uma inquietação profunda, uma sensação de desconforto existencial, e encontre na expressão artística um refúgio, uma forma de dar sentido ao caos interno, de encontrar beleza na dor e de transcender as limitações da realidade.


Portanto, a arte não é apenas um meio de escapismo ou entretenimento, mas sim um canal poderoso para explorar os recantos mais "sombrios" e "luminosos" da psique humana, para dar voz às emoções reprimidas e para criar uma ponte entre o consciente e o inconsciente.


É por isso que a arte ocupa um lugar central na teoria de Freud, Lacan e outros psicanalistas, que reconhecem seu papel fundamental na busca por significado e na elaboração dos conflitos internos que afligem o ser humano.


Para a psicanálise, o único mecanismo de defesa inconsciente verdadeiramente eficaz é a sublimação: através dela, canalizamos as energias pulsionais para formas socialmente aceitáveis de expressão, transformando o impulso primitivo em obras de arte, descobertas científicas e outras realizações criativas.

No entanto, é importante reconhecer que a sublimação não é um processo totalizador. Enquanto ela oferece um meio valioso de lidar com os conflitos internos e as demandas pulsionais, há aspectos da experiência humana que resistem à transformação. Nem todas as emoções, impulsos ou traumas podem ser facilmente canalizados para formas socialmente aceitáveis de expressão.


A complexidade da experiência humana reside justamente na coexistência de diferentes impulsos, desejos e experiências que não podem ser facilmente contidos ou transformados pela sublimação. Algumas emoções podem ser tão avassaladoras que desafiam qualquer tentativa de serem sublimadas, enquanto outras podem ser tão profundamente arraigadas no inconsciente que escapam à nossa consciência.


Contudo, diante da arte, Lacan observa com perspicácia: "Toda arte se caracteriza por um certo modo de organização em torno de um vazio".


Essa observação sugere que o processo criativo é, em última análise, um mergulho no desconhecido, uma tentativa de preencher o vazio existencial com significado, de encontrar ordem no caos, de dar forma ao informe.


Assim, a arte não apenas reflete a condição humana, mas também a desafia, oferecendo novas perspectivas, novas maneiras de ver o mundo e de nos vermos a nós mesmos.

A arte, nascida da inquietação e do mal-estar, é um convite à reflexão sobre a complexa experiência humana, oferecendo um refúgio para a angústia e um canal para a sublimação das emoções, construindo pontes entre o individual e o universal, o finito e o infinito.


Dessa forma, fica a pergunta: assim como os artistas, não será em torno de um (ou vários? "vazios" que todos nós construímos nossas vidas? E não será na arte que encontramos uma resposta que não seja totalizante?

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