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  • Foto do escritorlucas protti

A simplicidade perigosa das explicações bioquímicas para os transtornos mentais



A tendência atual é explicar condições mentais (depressão, ansiedade, TDAH, etc.) apenas pela falta de certos neurotransmissores no cérebro.


Segundo o modelo bioquímico SIMPLES, a depressão é causada pela falta de serotonina, e a resposta é o uso de antidepressivos, que aumentam a serotonina no cérebro.


Acredita-se que o déficit de atenção se deve à falta de dopamina, essencial para a atenção e a motivação. A resposta é o metilfenidato ou outros psicoestimulantes, que aumentam a dopamina nas áreas pré-frontais do cérebro.


Essas explicações bioquímicas, apesar de conterem alguma verdade, são simplificações perigosas. O neurologista Antonio Damasio nos alerta: "Quando se trata de explicar o comportamento e a mente, não basta mencionar a neuroquímica... O problema é que não é a ausência ou baixa quantidade de serotonina por si só que “causa” certas manifestações". Um bom psicólogo psicólogo precisa estar atento em relação a essas questões!


A serotonina e a dopamina fazem parte de um mecanismo complexo que opera ao nível das moléculas, sinapses, circuitos locais e sistemas. Nesse mecanismo, também estão envolvidos fatores socioculturais, passados e presentes, que influenciam fortemente.

As deficiências químicas no cérebro são tanto causa quanto efeito!


Algumas experiências reduzem os neurotransmissores, e a disponibilidade desses químicos pode influenciar comportamentos e emoções. A relação entre comportamento e biologia, portanto, não é de mão única.


Além disso, aceitar a ideia de que as doenças, mentais ou físicas, são principalmente genéticas permite-nos evitar questões perturbadoras sobre a natureza da sociedade em que vivemos.


Se a “ciência” nos permite ignorar a pobreza, as toxinas produzidas pelo homem ou uma cultura social frenética e estressante como contribuintes para as doenças, só podemos buscar respostas simples: farmacológicas e biológicas.


Uma psicologia que fica por demais focada em "intervenções mensuráveis e padronizadas" tem grande risco de negligenciar a complexidade das experiências vividas, reforçando também a ideia de que soluções farmacológicas e comportamentais são suficientes, sem considerar outros fatores que estão em jogo nos processos de adoecimento.

Eis um grande perigo dos nossos tempos.

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