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  • Foto do escritorlucas protti

Angústia: o afeto que não engana




Na vida, as mudanças significativas frequentemente surgem acompanhadas de angústia. Este sentimento, quando bem manejado, não apenas nos ajuda a enfrentar desafios, mas também nos motiva a superá-los, mesmo que o progresso seja lento e repleto de obstáculos.


Na terapia, a angústia desempenha um papel crucial ao destacar áreas de desconforto que precisam ser trabalhadas. Além disso, ela nos impulsiona a explorar questões profundas sobre quem somos e o que valorizamos na vida.


Sob a ótica de Lacan, renomado psicanalista, a angústia é frequentemente descrita como "o afeto que não engana". Isso sugere que, ao contrário de outras emoções que podem ser mascaradas ou mal interpretadas, a angústia revela uma verdade mais profunda sobre o sujeito.


Lacan argumenta que a angústia nem sempre está ligada a uma causa específica ou objeto identificável, mas muitas vezes à experiência de confrontar o vazio e a falta inerentes à condição humana. Essa falta fundamental, referida por Lacan como "falta no Outro", é uma sensação de ausência ou inadequação que surge quando confrontamos a incompletude de nossos desejos e identidades.


Portanto, a angústia pode ser vista como um sinal de que estamos confrontando essa falta, consciente ou inconscientemente, e lutando para encontrar uma forma de lidar com ela, buscando soluções para os desafios da vida.


Cada pequena mudança que fazemos, por mais demorada que seja, é uma vitória. Ao olharmos para trás, percebemos o quanto crescemos ao longo desse caminho.


Dessa forma, é importante valorizar o presente - e por que não a angústia? - como a chave para alcançar essas transformações. Demos respeitá-la, ouvi-la, permitir que se expresse e adquira forma, para que se torne um impulso vitalício para nosso caminhar. Assim como a diferença entre o remédio e o veneno está na dose, a angústia, em excesso, paralisa; porém, quando devidamente tratada, ela nos movimenta.


Faça terapia.

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