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Na encruzilhada: psicodélicos e saúde mental



Felizmente testemunhamos o retorno dos psicodélicos ao cenário da saúde mental. É reconfortante ver esses temas discutidos novamente. Afinal, são substâncias que têm o potencial de aprimorar a qualidade de vida de muitas pessoas, como vêm fazendo há séculos. Embora ainda não sejam legalizados em diversos países, há inúmeros relatos de pessoas que colhem benefícios de seu uso.


Estamos diante de um assunto de extrema sensibilidade, merecedor de uma abordagem observadora e cautelosa. Promessas de cura rápida por meio de protocolos com sessões psicodélicas e integração da experiência com algumas poucas sessões de psicoterapia têm sido apresentadas como altamente eficazes para "tratar" diversos “distúrbios”. Tudo isso requerer muito cuidado e discernimento.


Mesmo respeitando certas diretrizes, os psicodélicos podem amplificar emoções complexas, inclusive podendo intensificar os sintomas de depressão e ansiedade durante algum período.

O verdadeiro desafio relacionado aos psicodélicos é: o que se faz após a experiência? Como trazer os aprendizados e insights para o cotidiano? Como lidar com os conteúdos que emergem durante e após a experiência, que podem se estender por dias ou até meses? Isso é o que chamamos de integração da experiência.


No entanto, é importante entender que essa integração não ocorre de maneira linear em algumas poucas sessões de psicoterapia como pretendem alguns protocolos. A integração de uma experiência psicodélica é um processo contínuo, que pode ocorrer através da psicoterapia, dos sonhos, da expressão artística, de práticas corporais como massagem, ioga e dança, e das conversas com amigos, entre outros momentos significativos.


Com os psicodélicos ressurgindo como uma potencial ferramenta para explorar a saúde mental, estamos diante de uma encruzilhada de oportunidades e desafios. A história ancestral e os avanços científicos se entrelaçam nesse caminho, enquanto nos lembramos de que a “cura” dos processos de adoecimento humano não é conquistada com uma simples pílula ou uma fórmula rápida.


Desse modo, a busca por soluções jamais deve nos cegar para a complexidade dos indivíduos e das emoções, nem para a história dos usos tradicionais indígenas das substâncias psicodélicas. Nesse sentido, é crucial ressaltar a importância da educação e da conscientização sobre o uso responsável dos psicodélicos. A falta de informação adequada pode levar a experiências desafiadoras e até mesmo perigosas. Portanto, é fundamental que aqueles que consideram o uso dessas substâncias estejam bem informados sobre os potenciais benefícios, os riscos envolvidos e as melhores práticas para minimizar qualquer impacto negativo.


Além disso, mesmo com os seus perigos, a pesquisa científica desempenha um papel fundamental na compreensão dos efeitos dos psicodélicos no cérebro e na saúde mental. Investimentos em estudos clínicos bem projetados para que possam maximizar os benefícios terapêuticos enquanto minimizam os riscos para os pacientes.

A regulamentação adequada também é crucial para garantir que o acesso aos psicodélicos seja feito de maneira segura. Isso pode ajudar a evitar o abuso e os potenciais danos à saúde pública. Combinada com políticas sensatas, pode garantir que os psicodélicos sejam usados de forma benéfica e ética.


Por fim, é fundamental reconhecer e respeitar as tradições e práticas culturais relacionadas ao uso de psicodélicos, especialmente aquelas desenvolvidas por comunidades indígenas ao longo de gerações. Essas tradições carregam uma riqueza de sabedoria e conhecimento sobre o uso dessas substâncias de maneira sagrada e terapêutica, e devem ser honradas e protegidas à medida que os psicodélicos continuam a ser explorados no contexto da saúde mental contemporânea.

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