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  • Foto do escritorlucas protti

Nem tudo precisa fazer sentido



Ao final da sessão de psicoterapia, ele diz: “Eu venho aqui e falo tanta coisa sem nexo, assuntos muito aleatórios, uma coisa parece que não tem a ver com a outra, não sei como você consegue acompanhar...”. Em outro dia, exclama: "Aqui é um dos poucos lugares onde não preciso fazer tanto sentido, e isso até que é bom!"


Essas falas revelam um aspecto profundo da condição humana: a busca incessante por sentido em meio ao caos das experiências cotidianas. Dar sentido ao que vivemos é uma característica inerente ao ser humano. No entanto, há um limite para essa busca. Nem tudo pode ser compreendido, entendido, calculado ou previsto - mesmo que a ciência e o mercado tentem nos convencer do contrário.


Muitas vezes, sofremos tentando nos fazer compreendidos pelos outros, justificando cada mudança e aspecto nosso. Tentamos encaixar nossas escolhas e decisões em narrativas coerentes para que os outros possam entender e aceitar quem somos. No entanto, essa necessidade pode se tornar aprisionante, limitando nossa capacidade de sermos verdadeiramente autênticos e explorar nossa própria complexidade.


Existem aspectos da vida que transcendem a lógica e a racionalidade, como o amor e a poesia. Eles nos desafiam a aceitar o que não pode ser completamente explicado ou medido. O que seria do amor se não soubéssemos lidar com seus mistérios e incertezas? E a poesia, como poderia florescer se não abraçássemos a beleza do indizível e do inexplicável?


A capacidade de suportar e apreciar o sentido que se esvai e se relança continuamente é o que nos permite experimentar a vida em toda a sua plenitude. A aceitação dos limites do entendimento nos abre para uma profundidade de experiência que vai além da mera lógica, nos permitindo viver de forma mais autêntica e enriquecedora. Esta compreensão não só nos liberta das expectativas alheias, mas também nos empodera a abraçar nossa própria complexidade e singularidade.

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