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  • Foto do escritorlucas protti

O Ego é um Lego: quebra-cabeça em constante mudança



"Num sonho, estávamos aqui, bem nessa sala. Porém, eu conversava com um outro psicólogo, não exatamente com você, engraçado, né? Eu e ele brincávamos de Lego, sentados no chão, assim como crianças. Aliás, era um consultório para crianças, cheio de brinquedos. O Lego com que brincávamos tinha várias peças coloridas, como se estivéssemos montando e desmontando juntos várias coisas diferentes, eram formas diversas, sem muito sentido".


"Lembro da sensação, que era boa, como se fossem vários estalos na minha mente, a cada vez que a gente desmontava as peças e montava de novo, com o prazer de um jogo.

Até que em um momento o psicólogo falou: “Está vendo? O ego é um Lego!” – e eu acordei. A sensação é de que eu tinha entendido algo, mas não sei o quê. Fiquei com aquela frase ecoando na minha cabeça o dia todo: “o ego é um Lego, o ego é um Lego…”.


Esse sonho foi narrado há alguns anos por um jovem, no consultório. Ele trouxe uma sensação positiva diante das dificuldades que vinha passando ao encerrar um longo e conturbado relacionamento amoroso.


Ao fazer associações com o sonho, disse que, assim como um Lego, ele achava que “iria encontrar uma nova forma” para si mesmo, algo que ele não acreditava ser possível até então: “uma forma que eu agora sei que também vai ser provisória, né?”.

Isso lhe dava medo, apesar de também lhe trazer um frio na barriga de prazer: uma certa capacidade de se aventurar no desconhecido.


Esse relato nos faz pensar o quanto o ego (ou o que chamamos de "eu") é uma parte pequena do psiquismo humano. Cotidianamente, às vezes tendemos a acreditar que a nossa identidade é fixa, imutável. Porém, esse ‘eu’ cria muito mais problemas do que imaginamos.


Portanto, o processo de uma análise não busca tornar este eu "mais forte". Pelo contrário, uma análise talvez seja uma das coisas que o torne um pouco mais ‘poroso’, menos engessado, mais flexível ao inconsciente e às manifestações da vida e do desejo de forma geral.


Em momentos de crise, as estruturas daquilo que chamamos de "nós mesmos" precisam ser remexidas com cuidado, ética, acolhimento e paciência, antes que cheguem a um colapso total.

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