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Toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história (Hannah Arendt)

Atualizado: 19 de mar.



Sabemos que existem dores que que não desparecem inteiramente. Além disso, a mera narrativa da dor não extingue o sofrimento.


Entretanto, a narrativa nos possibilita encarar a dor sob diferentes ângulos. Ao construir uma narrativa, ela não mais permanece uma sensação indistinta e inexprimível (apesar de existir algo de indizível em toda dor) mas sim algo com que podemos manejar de maneira um pouco mais “concreta”. Muitas vezes é sobre suportar o indizível existente na dor e nos reposicionarmos em relação a ela.


Falar sobre eventos traumáticos em uma psicoterapia, como o caso de um abs0 s3xu4l (ou a perda de um ente querido, entre outros) muitas vezes requer um percurso que envolve numerosas sessões, avanços e recuos. Só depois de um tempo então que pode se iniciar um ciclo de "cicatrização" dessas dores.


É fato que quando lidamos com a dor, criamos escudos para nos proteger dela, mesmo que a dor continue ali, escondida dentro da gente e aparecendo de jeitos diferentes.


Por isso, durante um processo psicoterapêutico, pode acontecer de acabarmos "revivendo" parte dessas dores que a gente achava que não sentia mais. Isso acaba nos ajudando a libertar um pouco da dor acumulada.


Afinal, muitas vezes não temos ideia de como deixar para trás a dor que experimentamos, já que essa dor também faz parte de quem somos.


Explorar esses pontos dolorosos é um procedimento sensível e cuidadoso, porém essencial, quase como realizar pequenas "cirurgias" na alma. Não é com qualquer pessoa que nos sentiremos à vontade para isso. Escolha com cuidado.


Lucas C. Protti

CRP 16/4446

Hannah Arendt (1906 - 1975) foi uma importante filósofa política alemã de origem judaica que testemunhou os horrores do nazismo.


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