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  • Foto do escritorlucas protti

Vícios: entre limites e compulsões



"Sei que a droga me mata, mas se em ela eu morro, de outro jeito", foi a frase que ouvi de um rapaz de 18 anos, que depois de alguns anos de análise conseguiu impor limites aos hábitos que o destruíam.


Quem tem ou já teve uma relação muito próxima com algo que fugisse do seu controle, e fracassou em estabelecer limites nessa relação, sabe que nem sempre somos “senhores em nossa própria casa”.


É comum que os sujeitos que estejam passando por essa experiência se encontrem divididos entre a vontade de parar com determinado hábito e, ao mesmo tempo, a compulsão que retorna com toda a sua força, mostrando que nem sempre as escolhas conscientes ditam as cartas do jogo.


Ao escutarmos a história do sujeito que chega em uma análise, percebemos que a "droga" (que podem ser várias coisas!) nunca é, para ele, simplesmente uma coisa qualquer. Ela exerce uma função sempre singular na economia libidinal de cada sujeito. Há um encontro próprio entre aquele que a consome, ela, e toda uma série de relações afetivas na qual ambos estão inseridos. Vale dizer que com ela, o usuário estabelece uma relação afetiva de paixão.


Quando o próprio sujeito decide que a relação com este objeto é algo a ser tomado como questão, é que podem ocorrer deslocamentos e mudanças nessa relação. A tão propagada ideia da “força de vontade” tem seus drásticos limites, caso o sujeito não possa se interrogar com seriedade e paciência sobre a sua relação singular com determinado objeto/hábito/situação.


Como essa relação se constituiu? Qual a função que ela exerce? Por que a escolha de determinada “droga” em especial? Que satisfação ela traz?


São as questões que um psicanalista pode sustentar com o seu trabalho, que não é da ordem da moral ou dos "bons conselhos", mas sim de escutar radicalmente a singularidade de cada sujeito.

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