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  • Foto do escritorlucas protti

"Você é especialista em que? Ansiedade, depressão, vícios, TDAH...?





Outro dia, uma colega que trabalha com marketing digital me fez essa pergunta sobre quais "transtornos" eu era especialista. Fiquei um pouco surpreso com a pergunta e respondi: "Mas esses campos não estão interligadas?".


Lembrei-me de uma pessoa que me procurou, solicitando atendimento. "Eu fiz dois anos de terapia, mas o psicólogo focou principalmente na minha fobia social. Não abordamos muito a minha ansiedade". Como assim? - me questionei.


O perigo dos especialismos é reduzir a complexidade da experiência humana a categorias estanques e isoladas. A natureza multidimensional da psique humana não se encaixa perfeitamente em compartimentos estreitos e delimitados, como os transtornos específicos definidos pelo manual diagnóstico DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders).


Ao focarmos demais em um "transtorno específico", corremos o risco de negligenciar outros aspectos essenciais da vida das pessoas que atendemos.Por exemplo, um psicólogo "especializado em fobia social" pode estar menos atento aos problemas subjacentes de relacionamento, traumas passados ou questões existenciais que contribuem para a ansiedade do paciente, como no caso citado no início da conversa.


Embora as especializações que tenho enriqueçam o meu trabalho conhecimento em áreas específicas da psicologia, é importante ressaltar que não me considero um especialista em algum "transtorno" ou nos temas abordados durante os meus dois cursos de pós-graduação ou no meu mestrado.


Enquanto psicólogo, preciso continuar estudando a vida toda para ir me tornando um "especialista" em pessoas. Uma formação que não acaba nunca: análise pessoal, supervisão, estudos e sensibilidade.


Essa postura não implica em desconsiderar os sintomas das pessoas, mas abrir-se para ouvir e intervir em algo que está para além deles...



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