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46 itens encontrados para ""

  • O sucesso é solitário

    O sucesso é almejado por muitos, mas alcançado por poucos, e manter-se nele pode ser ainda mais difícil. Conseguir o que queremos muitas vezes nos faz sentir sozinhos, mesmo quando estamos cercados por quem amamos. Às vezes, nos afastamos dos outros e das regras comuns, da "massa", quando alcançamos sucesso, por isso ele é “solitário”. Por outro lado, quando falhamos, podemos encontrar apoio e compreensão dos outros, o que faz laço com os demais. Por isso, as pessoas que conseguem manter o sucesso geralmente são as que aprendem a lidar bem com a solidão. Portanto, é importante conseguirmos nos desconectarmos um pouco das opiniões dos outros para manter nossas conquistas. Lidar com a inveja e a falta de compreensão pode ser difícil. Às vezes, nos sentimos sozinhos emocionalmente, como se ninguém entendesse ou nos apoiasse. Além disso, nosso sucesso pode incomodar aqueles que têm dificuldade em avançar por conta de seus próprios problemas. Eles podem ficar tristes com nossa felicidade e tentar nos fazer sentir mal também. Mas é importante lembrar que, apesar de sua face solitária, o sucesso não deve nos afastar das pessoas, mas nos conectar de maneira genuína! Felizmente, à medida que progredimos, encontramos pessoas que apoiam nosso sucesso e nos ajudam a crescer ainda mais. O grande problema é que às vezes nós somos os nossos piores inimigos.Sem perceber, podemos sabotar nosso próprio sucesso por sentimentos de culpa ou autopunição. Nesses casos, buscar ajuda de um psicólogo pode ser útil para fazer trabalhar essas questões.

  • Psicologia difere de coaching, autoajuda e aconselhamento!

    Importante trazer alguns esclarecimentos.... Psicologia: surgiu no século XIX. O psicólogo é um profissional graduado em Psicologia por uma instituição reconhecida pelo MEC, registrado no Conselho Federal de Psicologia e sujeito à fiscalização do órgão. Ele estuda e intervém em comportamentos, emoções, cognição, relações sociais, entre outros aspectos. Na prática clínica, ele oferece tratamento para pessoas em sofrimento e com transtornos mentais, visando melhorar sua saúde e qualidade de vida. É desaconselhável que o profissional utilize sua própria vida como referência para orientar o paciente, pois não se trata de estabelecer um padrão ou modelo a ser seguido, o que poderia ser imprudente e prejudicial ao tratamento. Na psicoterapia, é a história vivida pelo paciente, seus desejos para o futuro, conflitos emocionais e sociais, entre outros aspectos, que importam. Cada questão é examinada em colaboração com o paciente, visando: 1) descobrir as causas e os fatores desencadeadores; 2) compreender como essas questões surgiram e suas consequências; e 3) trabalhar na construção de estratégias para lidar e resolver esses problemas. Coach: Surge a partir de 1970. É um processo de assessoria no qual faz uso de ferramentas de outras áreas. Não é um curso superior nem uma profissão regulamentada ou fiscalizada, a formação se dá por meio de cursos especializados no tema em instituições com formatos diversos. Tem por objetivo o desenvolvimento pessoal e profissional, motivacional, identificar potencialidades e metas para o futuro. Enfatiza o alcance do sucesso a curto prazo, como: aquisição de bens, promoção na carreira, estabilidade financeira e construir um empreendimento. O passado de cada um, assim como seus traumas, não são objetos do processo. Sendo assim, o cliente é estimulado a analisar o próprio estado atual e até onde ele deseja chegar, criando depois um plano de ação com data hora e como será executado. Atua em várias áreas, porém, não realiza psicoterapia e tratamento de saúde. Autoajuda e Aconselhamento: São caracterizados pelo compartilhamento de experiências pessoais, uma abordagem geral e a narrativa de vivências que podem fornecer lições e modelos que às vezes são considerados aplicáveis à vida de outras pessoas. No entanto, muitas vezes tendem a oferecer "fórmulas de sucesso" que presumem ser universais, sem considerar as particularidades e realidades individuais. Geralmente promovem um estilo de vida baseado no pensamento positivo, na lei da atração, no carpe diem ou no hedonismo. O aconselhamento, por sua vez, se baseia em sugestões, opiniões e experiências pessoais, expressando-se em afirmações do tipo "se fosse eu, faria isso" ou "já vivi algo semelhante e sei como lidar". Embora esses conselhos possam ser exemplos a serem considerados e ofereçam orientação prática, é importante exercer cautela e avaliar sua aplicabilidade antes de adotá-los. Em resumo, cada abordagem tem seu espaço e aplicação prática, mas é essencial utilizá-las de forma adequada e evitar confundi-las.

  • Quanto tempo dura um tratamento psicológico?

    Trata-se de uma pergunta natural e importante! Nesse sentido, artigo 20 do Código de Ética da Psicologia é bastante claro a respeito: ao divulgar seus serviços, um profissional de Psicologia não deve fazer promessas definitivas de resultados. Em outras palavras, não é ético garantir que determinados resultados serão alcançados e, muito menos, definir o tempo em que isso ocorrerá de fto. Nossa prática profissional é complexa e influenciada por diversos fatores que consideramos ao longo do processo. Podemos esperar, com base em nossa experiência e expertise, que o tratamento contribua para melhorias na vida da pessoa, fortalecendo sua relação consigo mesma e com o mundo ao seu redor. No entanto, é importante distinguir entre essa expectativa e a definição de prazos fixos para o término do tratamento Ao contrário de uma equação matemática, a duração de um tratamento psicológico é variável e depende de um processo cuidadoso, que envolve vários fatores impossíveis de serem previstos. Por isso, é lamentável quando observamos colegas fazendo afirmações simplistas e perigosas, como "o tratamento terá resultados em seis meses" ou "essa abordagem cura a depressão em um período específico". Portanto, ao invés de fixar prazos arbitrários para o término do tratamento, é importante que o psicólogo adote uma abordagem flexível e colaborativa, que priorize o bem-estar e o desenvolvimento do cliente ao longo do tempo. Isso implica em uma prática terapêutica que esteja sempre aberta a reavaliações, ajustes e novas estratégias, conforme as necessidades e o caminhar do cliente. Dessa forma, podemos oferecer um cuidado mais eficaz e responsável, alinhado com os princípios éticos e com o compromisso com a saúde e a qualidade de vida daqueles que buscam nosso auxílio.

  • Suportar as mudanças

    A vida é contínua transformação. Nada está parado, tudo se modifica o tempo todo. Muitas vezes resistimos as mudanças, pois as transições, sejam grandes ou pequenas, geram misturas de emoções, como medo, ansiedade e também esperança, expectativas, alegria. Quase sempre resistimos a ter que nos reinventar por conta da incerteza e da sensação de perda de controle que muitas vezes nos traz angústia. Como nos diz Lacan, "a angústia surge do momento em que o sujeito eestá suspenso entre um tempo em que ele não sabe mais onde está, em direção a um temo onde ele será alguma coisa na qual jamais se poderá reencontrar". Toda via, construir a aceitação de que não controlamos tudo é um grande alívio, pois reconhecendo a mudança como parte constante da vida, podemos talvez aprender algo e crescer com ela. Portanto, abraçar as mudanças como oportunidades crescimento é também uma escolha. Construir redes de apoio e buscar a ajuda profissional de um psicólogo são atitudes que nos auxiliam nessas transformações, visto que ninguém é uma ilha. Ninguém está sozinho. Todos estamos em uma rede interdependente de afeto e ajuda mutua e a vida se torna mais interessante e fluida quando podemos contar uns com os outros. Focar no presente é útil, mas o passado deixa marcas em nossa vida que não é tão fácil de perceber e que influenciam o momento atual e o futuro. Como nos diz Rubem Alves: “Consulte sempre um advogado. Você tem direitos. Consulte sempre um psicanalista. Você tem avessos”.

  • A sua raiva também faz parte de você

    Ao reprimirmos nossas emoções, acabamos nos prejudicando, pois nos violamos.. Devido a uma educação repressora, opressora e violenta, nunca fomos ensinados a sentir, compreender, aceitar e lidar com nossas emoções internas. Expressar emoções é frequentemente considerado perigoso, ruim e inaceitável. Assim, ao invés de aprendermos sobre a responsabilidade por nossos sentimentos, somos condicionados a acreditar que são as circunstâncias externas que causam nossas reações emocionais, não o que está dentro de nós. Isso nos leva a culpar os outros por nossos desconfortos, medos, receios e raivas, enquanto atribuímos a eles o poder de nos trazer alegria, felicidade, prazer e bem-estar. Imagine suas emoções como convidados em uma festa dentro de você, onde cada uma delas tem seu próprio papel e personalidade. Quando reprimimos esses convidados, é como se os expulsássemos da festa, causando um tumulto interno que pode levar ao adoecimento emocional. Ao invés disso, deveríamos receber cada emoção como um convidado valioso, mesmo que às vezes inconveniente. Em vez de culpar o mundo externo pelas nossas reações emocionais, é importante reconhecer que elas são como mensageiros internos, nos mostrando o que é importante para nós e o que precisamos lidar. Toda emoção tem uma função, inclusive a raiva. Ela não é boa nem ruim por si mesma: o importante é o que fazemos com ela. Por exemplo, quando a raiva bate à nossa porta, em vez de tentar ignorá-la ou deixá-la dominar a festa, podemos convidá-la para sentar conosco, oferecer-lhe uma xícara de chá e buscar conversar para entender por que ela veio nos visitar. Sei que falando assim, parece muito fácil, mas na prática não é bem assim que ocorre. Porém esse olhar nos ajuda a compreender melhor a nós mesmos e a lidar de forma mais saudável com nossas emoções. Vale lembrar que a forma como lidamos com a raiva influenciará diretamente na maneira como nossos filhos aprenderão a lidar com suas próprias emoções. Nossos comportamentos e atitudes servem como modelos para eles, e eles aprenderão muito sobre como lidar com emoções observando como nós as enfrentamos. Eles percebem nossos conflitos conscientes e inconscientes. Em suma, nossas reações emocionais acabam sendo transmitidas para nossos filhos como um exemplo a ser seguido Então, me conta: como você lida com seus “convidados emocionais”?

  • O paciente é dependente da terapia?

    É importante lembrar: nenhum psicólogo deveria almejar a dependência do paciente. Essa é uma verdade incontestável. Não faz sentido realizar um trabalho visando segurar a pessoa, torná-la dependente do profissional  ao ponto de não conseguir seguir sua vida. No entanto, cada caso é único, precisa ser considerado em função das demandas, questões, necessidades e vulnerabilidades da pessoa, e, por isso, pode levar mais ou menos tempo. Daí a importância da(do) profissional se atentar ao processo considerando suas etapas e progressões, acolher as falas dos pacientes sobre como estão se vendo no percurso e o que esperam dele, e não colocar entraves quanto às pausas ou ao fim do processo, mas tratar o assunto com naturalidade como um tema comum do tratamento. Se a psicologia  visa minimamente favorecer a construção de autonomia e responsabilidade da pessoa diante de si mesma, de sua vida e de suas relações, não faz sentido algum que a própria terapia se transforme em bengala!

  • Por quê acredito nos psicodélicos: um relato pessoal

    Enquanto psicólogo, estudo o tema dos psicodélicos e da saúde mental desde a minha graduação. Assim como este pequeno relato de uma experiência pessoal, eu poderia fazer outros e trazer inúmeras pessoas - psicólogos ou não, que têm mostrado o impacto positivo que os psicodélicos tiveram em suas vidas. Entretanto, não se trata de provar nada para ninguém, mas sim de contar histórias. Histórias que, como nos diz Krenak, possam “adiar o fim do mundo”, que mostrem outras possibilidades de vidas, de tratamentos e concepções a respeito do sofrimento e de como lidar com ele. O fato é que, foi apenas a partir de experiência com a psilocibina que percebi a dor que a morte de um amigo, há três anos atrás, por câncer, havia me afetado de tal forma que eu havia, inconscientemente, me isolado de algumas relações. Uma "defesa" havia sido criada nas amizades. Não foi fácil lidar com a morte de um semelhante de forma tão inesperada, repentina e veloz. Não houve tempo e nem coragem para despedidas, ainda mais em um contexto pandêmico, todo contato e proximidade se tornava mais difícil ainda, aproximando o inevitável da partida. Desta sessão, lembro-me da sensação, de estar deitado, no escuro e um pensamento sobre a minha relação com um determinado amigo atravessar-me as ideias. De repente, como um link inexplicável, uma espécie de associação livre, lembrei-me desse outro amigo, que já havia partido, e chorei um choro convulsivo, que eu jamais imaginei que havia em mim. Um choro que misturava diferentes sensações, liberando uma carga energética retesada, cansada de segurar o choro. Depois vieram palavras, as elaborações, o alívio, e certo “entendimento. Entretanto, aquele sentimento estava no corpo e era pré-verbal. Nem tudo é da ordem do simbólico. Os psicodélicos nos colocam de frente com isso. Lembro-me também de pensar que, se eu havia acabado de acessar a dor de um amigo, imagina os soldados das guerras que estão tomando psicodélicos: quantos amigos que eles perderam no campo de batalha eles terão que chorar? "Será que tive medo de perder outros amigos depois da morte dele, e por isso me isolei de alguns deles?" - foi uma das questões que posteriormente me fiz. Foi uma questão inclusive que se tornou uma questão de análise, trabalhada na minha própria terapia. Entretanto, o mais interessante é que, sem a sessão com a psilocibina, talvez eu ficasse anos falando em terapia e nunca falasse sobre esse assunto. Havia sido algo da ordem do “traumático” e que estava tendo seus efeitos sobre mim, sem que eu houvesse me dado conta. Entretanto, que bom que eu pude levar tais acontecimentos para a minha própria terapia. É isso que se denomina popularmente de “integração psicodélica”. Integrar os efeitos dessas vivências, as situações que surgem, que demandam certa elaboração, mas que, entretanto, não precisam ser necessariamente pela terapia, pelo verbal. Esse é um dos caminhos para algumas pessoas, visto que esses compostos fazem alianças há milênios com povos que sequer precisam de “terapias” para integrar esses eventos. O sofrimento humano é grande, complexo. A aliança que formaremos com alguns psicodélicos talvez nos ajude a atravessá-lo. Apesar de todas as problemáticas que envolvem o seu uso, o seu retorno ao campo da psiquiatria/psicologia e etc., de forma geral, o ressurgimento do debate sobre essas questões e o aumento da sua circulação, em minha opinião, é vista como positiva. Depende de quais alianças fizermos com ele, de os respeitarmos, de termos um compromisso. Como nos diz a psicanalista Vera Iaconelli, “claro está que sua legalização também cairá no moedor de carne do capitalismo. Mas podemos apostar também em um uso que se preste a iluminar o exato ponto no qual perdemos a fé no vivente e optamos por sua dominação e destruição.” Acredito nos psicodélicos, principalmente aqueles que possuem tradições de uso. Acredito nas alianças com eles porque cada vez mais cresce o número de pessoas que compartilham os impactos positivos em suas vidas. Acredito por quê, como definiu muito bem Iaconelli, “para além dessa importante função, a própria experiência com essas substâncias, quando bem administrada e corretamente assistida, nos ajuda a refletir sobre aquilo que nos aparta tão brutalmente de nós mesmos e nos leva à derrocada civilizatória”.

  • Relações terapêuticas: a escolha do profissional

    Como disse o renomado escritor Irving D. Yalom: “Se você interrogar os pacientes no final da terapia sobre o processo, do que eles se lembram? Nunca das ideias - é sempre o relacionamento”.  Isso ressalta a importância da conexão entre terapeuta e cliente. Os estudos e teorias são valiosos como guias e mapas, fornecendo direção e orientação. No entanto, é no vínculo que encontramos a verdadeira força motriz do processo. Cada interação entre psicólogo e cliente é única, como um elo vital impulsionando as mudanças. Esse tecido de confiança, expectativas, vulnerabilidades e limitações molda e sustenta esse percurso. A confiança mútua entre cliente e psicólogo, portnato, é essencial para o sucesso da terapia. Existem diversos termos para descrever essa relação, como paciente/terapeuta, cliente/conselheiro, analisando/analista. Cada profissional escolhe como prefere ser chamado. Essa é uma relação autêntica, na qual os psicólogos reconhecem e apoiam positivamente as pessoas que buscam ajuda. Isso implica reconhecer e explorar as virtudes únicas dos clientes, como coragem para enfrentar traumas, habilidades sociais, bondade e senso de humor. Ao mesmo tempo, abrir-se para escutar o que quer que seja das pessoas que os atendem. Dessa forma, apesar do conhecimento teórico e das ferramentas disponíveis, é crucial lembrar que oacliente é o verdadeiro condutor do processo. O psicólogo está lá para trabalhar a partir das questões que surgem, compartilhando ideias, visão e ferramentas. No entanto, a direção tomada é determinada pela bússola interna do cliente. Portanto, ao procurar um profissional do campo da psicologia, avalie sua formação profissional e observe se demonstra dedicação ao aprimoramento técnico. Considere também recomendações e, principalmente, como se sente ao interagir com o psicólogo. Confie em sua intuição para decidir se confiaria em compartilhar questões íntimas e se sentiria cuidado por essa pessoa. Essa análise inicial pode oferecer uma ideia sobre sua inclinação em trabalhar com ela.

  • A falácia de tentar ser "melhor versão de nós mesmos"

    Vivemos em um mundo que constantemente nos instiga a nos tornarmos a "melhor versão de nós mesmos". No entanto, paradoxalmente, essa busca incessante pela perfeição tem gerado um aumento preocupante da ansiedade, depressão e outros distúrbios mentais, refletindo um mal-estar que Freud já observava em sua obra "O Mal Estar na Civilização". A ideia de um sujeito humano totalmente no controle de seu destino e emoções parece, cada vez mais, fadada ao fracasso, contribuindo para um aumento do sofrimento. Nesse contexto, as palavras da psicanalista e historiadora Élisabeth Roudinesco ressoam poderosamente: "Nada está mais próximo da patologia do que o culto da normalidade levada ao extremo". Essa reflexão nos leva a questionar o que realmente significa ser a "melhor versão de si mesmo". Será uma busca por uma perfeição inalcançável? Ou seria mais saudável aceitar nossa humanidade, com todas as suas imperfeições? Talvez devêssemos repensar a noção de "normalidade", reconhecendo que tentar se encaixar em padrões preestabelecidos pode negar nossa singularidade e diversidade. A busca incessante pela "melhor versão de si mesmo" muitas vezes nos leva a um ciclo de autocrítica e insatisfação constante. Idealizar um estado perfeito pode criar pressão excessiva, estresse e ansiedade, levando-nos a nos afastar de nossa verdadeira autenticidade e a comparar constantemente nossas vidas com as dos outros. Uma abordagem mais compassiva e realista poderia envolver promover o autocuidado, a autocompaixão e a aceitação de si mesmo. Em vez de buscar ser a "melhor" versão de nós mesmos, poderíamos nos esforçar para ser autênticos e viver de acordo com nossos valores, reconhecendo que todos enfrentamos desafios e imperfeições ao longo da vida. Ao cultivarmos esse cuidado com nós mesmos, consequentemente aumentamos nossa capacidade de aceitar os outros. Reconhecendo nossa própria humanidade, tornamo-nos mais empáticos e tolerantes com as imperfeições dos outros. Dessa forma, podemos adotar uma abordagem mais equilibrada e gentil em relação ao nosso desenvolvimento pessoal, lembrando que a jornada para a autodescoberta e o bem-estar não é linear, e que está tudo bem não ser perfeito.

  • Na encruzilhada: psicodélicos e saúde mental

    Felizmente testemunhamos o retorno dos psicodélicos ao cenário da saúde mental. É reconfortante ver esses temas discutidos novamente. Afinal, são substâncias que têm o potencial de aprimorar a qualidade de vida de muitas pessoas, como vêm fazendo há séculos. Embora ainda não sejam legalizados em diversos países, há inúmeros relatos de pessoas que colhem benefícios de seu uso. Estamos diante de um assunto de extrema sensibilidade, merecedor de uma abordagem observadora e cautelosa. Promessas de cura rápida por meio de protocolos com sessões psicodélicas e integração da experiência com algumas poucas sessões de psicoterapia têm sido apresentadas como altamente eficazes para "tratar" diversos “distúrbios”. Tudo isso requerer muito cuidado e discernimento. Mesmo respeitando certas diretrizes, os psicodélicos podem amplificar emoções complexas, inclusive podendo intensificar os sintomas de depressão e ansiedade durante algum período. O verdadeiro desafio relacionado aos psicodélicos é: o que se faz após a experiência? Como trazer os aprendizados e insights para o cotidiano? Como lidar com os conteúdos que emergem durante e após a experiência, que podem se estender por dias ou até meses? Isso é o que chamamos de integração da experiência. No entanto, é importante entender que essa integração não ocorre de maneira linear em algumas poucas sessões de psicoterapia como pretendem alguns protocolos. A integração de uma experiência psicodélica é um processo contínuo, que pode ocorrer através da psicoterapia, dos sonhos, da expressão artística, de práticas corporais como massagem, ioga e dança, e das conversas com amigos, entre outros momentos significativos. Com os psicodélicos ressurgindo como uma potencial ferramenta para explorar a saúde mental, estamos diante de uma encruzilhada de oportunidades e desafios. A história ancestral e os avanços científicos se entrelaçam nesse caminho, enquanto nos lembramos de que a “cura” dos processos de adoecimento humano não é conquistada com uma simples pílula ou uma fórmula rápida. Desse modo, a busca por soluções jamais deve nos cegar para a complexidade dos indivíduos e das emoções, nem para a história dos usos tradicionais indígenas das substâncias psicodélicas. Nesse sentido, é crucial ressaltar a importância da educação e da conscientização sobre o uso responsável dos psicodélicos. A falta de informação adequada pode levar a experiências desafiadoras e até mesmo perigosas. Portanto, é fundamental que aqueles que consideram o uso dessas substâncias estejam bem informados sobre os potenciais benefícios, os riscos envolvidos e as melhores práticas para minimizar qualquer impacto negativo. Além disso, mesmo com os seus perigos, a pesquisa científica desempenha um papel fundamental na compreensão dos efeitos dos psicodélicos no cérebro e na saúde mental. Investimentos em estudos clínicos bem projetados para que possam maximizar os benefícios terapêuticos enquanto minimizam os riscos para os pacientes. A regulamentação adequada também é crucial para garantir que o acesso aos psicodélicos seja feito de maneira segura. Isso pode ajudar a evitar o abuso e os potenciais danos à saúde pública. Combinada com políticas sensatas, pode garantir que os psicodélicos sejam usados de forma benéfica e ética. Por fim, é fundamental reconhecer e respeitar as tradições e práticas culturais relacionadas ao uso de psicodélicos, especialmente aquelas desenvolvidas por comunidades indígenas ao longo de gerações. Essas tradições carregam uma riqueza de sabedoria e conhecimento sobre o uso dessas substâncias de maneira sagrada e terapêutica, e devem ser honradas e protegidas à medida que os psicodélicos continuam a ser explorados no contexto da saúde mental contemporânea.

  • Vícios: entre limites e compulsões

    "Sei que a droga me mata, mas se em ela eu morro, de outro jeito", foi a frase que ouvi de um rapaz de 18 anos, que depois de alguns anos de análise conseguiu impor limites aos hábitos que o destruíam. Quem tem ou já teve uma relação muito próxima com algo que fugisse do seu controle, e fracassou em estabelecer limites nessa relação, sabe que nem sempre somos “senhores em nossa própria casa”. É comum que os sujeitos que estejam passando por essa experiência se encontrem divididos entre a vontade de parar com determinado hábito e, ao mesmo tempo, a compulsão que retorna com toda a sua força, mostrando que nem sempre as escolhas conscientes ditam as cartas do jogo. Ao escutarmos a história do sujeito que chega em uma análise, percebemos que a "droga" (que podem ser várias coisas!) nunca é, para ele, simplesmente uma coisa qualquer. Ela exerce uma função sempre singular na economia libidinal de cada sujeito. Há um encontro próprio entre aquele que a consome, ela, e toda uma série de relações afetivas na qual ambos estão inseridos. Vale dizer que com ela, o usuário estabelece uma relação afetiva de paixão. Quando o próprio sujeito decide que a relação com este objeto é algo a ser tomado como questão, é que podem ocorrer deslocamentos e mudanças nessa relação. A tão propagada ideia da “força de vontade” tem seus drásticos limites, caso o sujeito não possa se interrogar com seriedade e paciência sobre a sua relação singular com determinado objeto/hábito/situação. Como essa relação se constituiu? Qual a função que ela exerce? Por que a escolha de determinada “droga” em especial? Que satisfação ela traz? São as questões que um psicanalista pode sustentar com o seu trabalho, que não é da ordem da moral ou dos "bons conselhos", mas sim de escutar radicalmente a singularidade de cada sujeito.

  • Para onde vão os nossos silêncios ?

    Muitos sabem que seria benéfico procurar um psicólogo para lidar com questões emocionais, mas acabam adiando essa decisão por muito tempo. Esse fenômeno é intrigante, não é mesmo? Mesmo tendo consciência do que precisamos fazer, frequentemente falhamos em agir. Por quê? Outros passam a semana toda pensando em discutir um tema específico em terapia, mas quando chega o momento, parece que as palavras fogem. É por isso que em nenhuma das sessões com o psicólogo as pessoas são obrigadas a abordar nenhum assunto específico. Tudo o que é compartilhado é valioso e respeitado, até mesmo o silêncio. Isso me faz lembrar quantas vezes ouvi no consultório as pessoas minimizarem seus próprios problemas em comparação com os de outras pessoas. Ou, ainda, sugerirem que não deveriam se preocupar com essas questões, pois "há problemas maiores na humanidade". Os "pequenos" problemas, apesar de parecerem insignificantes superficialmente, podem ter um impacto devastador na qualidade de vida e merecem ser tratados com a mesma seriedade dos "grandes" problemas. Não existe uma escala objetiva para medir a importância dos problemas. Aqueles que procuram terapia o fazem porque estão sofrendo de alguma forma e precisam que seus problemas sejam acolhidos e respeitados. Além disso, é necessário tempo para construir um vínculo de confiança com o profissional, e esse tempo pode variar de pessoa para pessoa. É verdade que falar sobre aquilo que nos incomoda pode ser desafiador. No entanto, guardar tudo para si também tem um custo elevado. Afinal, para onde vão os nossos silêncios quando deixamos de expressar o que sentimos?

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